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Aonde aprendeu a andar tão depressa?
Aonde, afinal, leu que é preciso ter pressa?
Esconde-se atrás dos ponteiros
de um grande relógio,
na passagem do tempo se afugenta.
Diz não ter tempo
para uma conversa amiga,
para pessoas e para sua liberdade.
Passou-se o tempo,
e por ele passou, viveu
e fez-se morte.
O relógio da cabeceira sempre lhe advertiu
que era preciso esquecê-lo,
sem horas,
cem horas passariam,
não mais seria o mesmo.
Aonde vai com essa mala vazia?
Vazia de histórias, de sonhos,
de boas memórias,
vazia de alma.
Buscava… o que mesmo buscava?
Buscou tanto a pontualidade
que hoje é impontual consigo próprio.
